Britânico The Guardian destaca Minaçu como cidade-fronteira para a mineração de terras raras no mundo; e na mira dos EUA e da China
O jornal britânico The Guardian, um dos mais tradicionais veículos de imprensa da história da Europa, com sede em Londres, capital da Inglaterra e do Reino Unido, dedicou mais de 4 páginas de seu periódico para tratar de um assunto por lá sobressalente: o potencial que carrega uma cidadezinha do interior de Goiás, Minaçu.
Para o editorial britânico, em pouco tempo Minaçu se tornará a principal fronteira de mineração de terras raras no mundo para produção de tecnologias de ponta. E não por menos a cidade, hoje, já se inclui em projetos de investimentos audaciosos de transição energética, centro de uma das disputas entre EUA e China.
No começo do texto, o editorial britânico é enfático: “A pequena cidade de Minaçu espera desafiar o domínio da China em atender ao apetite global por minerais, chave para a transição de energia verde”. “Minaçu, uma pequena cidade no interior do Brasil e lar da única mina de amianto nas Américas, deve se tornar a primeira operação fora da Ásia a produzir quatro terras raras em escala comercial – um grupo de minerais fundamental para a transição energética no centro da disputa comercial entre a China e os EUA”, exaltou.
“Até agora, a China dominou a separação de terras raras e é responsável por 90% da fabricação de ímãs de terras raras, ou super ímãs, que são feitos com esses elementos e “usados em carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares, como jatos”, disse.

Com a segunda maior reserva conhecida de terras raras no mundo, o Brasil parece ser uma alternativa estratégica à China, diz Constantine Karayannopoulos, especialista da indústria. “Eu tenho avaliado [este mercado] em todo o mundo há anos, e acho que o Brasil tem de longe os melhores depósitos de terras raras”, diz ele.
A nova fronteira brasileira fica em Minaçu, a 237 milhas (382 km) da capital, Brasília, onde uma empresa de mineração controlada por um fundo americano começou a extrair minerais de terras raras em 2024 com o objetivo de exportar – para a China.”

“A cidade de 27.000 habitantes foi fundada em torno da exploração do amianto, um mineral usado na construção e que impulsionou a economia local por décadas. Mas em 2017 toda a produção e comércio do mineral foi proibido pela suprema corte brasileira devido aos seus efeitos nocivos na saúde. Hoje, mais de 65 países proibiram ou restringiram o uso de amianto. Em 2019, o estado de Goiás reautorizou a produção de amianto exclusivamente para exportação, mas a constitucionalidade da lei está sob revisão pela suprema corte desde então, ameaçando o futuro da mineração em Minaçu – até a descoberta de elementos de terras raras. As terras raras são um grupo de 17 elementos com alto magnetismo e a capacidade de absorver luz, características que os tornam essenciais para a transição para a energia limpa, entre outros.
A operação é baseada em um dos maiores depósitos de argila iônica fora do sudeste da Ásia. Ao contrário dos depósitos de rocha dura encontrados na Austrália e nos EUA, a extração de argila é menos cara e menos agressiva do ambiente.
Minaçu: A chance de abraçar um novo começo

“É uma cidade produzida por e para o capital de mineração”, diz o geógrafo Fábio Macedo Barbosa, que estudou Minaçu para sua tese de doutorado. Ainda assim, nem mesmo em seu auge a mineração de amianto se traduziu em diversificação econômica e aumento da riqueza local. De acordo com o governo brasileiro, 32% das famílias em Minaçu vivem na pobreza. Entre 2014 e 2020, os royalties pagos ao município não reduziram a dependência do bem-estar, diz a pesquisadora Agnes Serrano, que escreveu uma tese de doutorado sobre Minaçu na Universidade de Brasília .
Prefeito: Um dos maiores entusiastas da prospecção de Minaçu lá fora

O prefeito Carlos Alberto Leréia tem grandes expectativas de que a Serra Verde aumentará a receita dos royalties de mineração nos próximos anos. Para que isso aconteça, a produção ainda deve aumentar. O início da operação foi adiado de 2022 para janeiro de 2024, e as duas únicas remessas para a China, totalizando 60 toneladas em setembro e 419 toneladas em fevereiro, estão longe da meta anual de 5.000 toneladas. “Isso trará uma enorme riqueza para a cidade”, acredita
Abundante, fácil de extrair, flexível, resistente ao calor e ao fogo, o amianto era amplamente utilizado em materiais de construção, como telhas e tanques de água – e ainda está em países como Índia, Bangladesh, Indonésia e Tailândia, os principais compradores do minério de Minaçu. Os EUA também importam amianto Minaçu para a indústria do petróleo. Mas os estudos levantam questões sobre os impactos na saúde e os danos ambientais da mineração de amianto.
A inalação de fibras de minério de amianto pode causar doenças graves, como asbestose, placas pleurais, câncer de pulmão e mesotelioma. Dados da OMS relatam mais de 200.000 mortes em todo o mundo por exposição ao amianto, com 70% devido a cânceres relacionados ao trabalho.
O The Guardian , maior e mais influente jornal diário publicado em Londres , é considerado um dos principais jornais do Reino Unido.
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