Ex-presidente da Coreia do Sul pede desculpas após sofrer impeachment
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O ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, pediu desculpas publicamente nesta sexta-feira (4), após o Tribunal Constitucional do país confirmar, por unanimidade, sua destituição definitiva do cargo. A decisão foi tomada em resposta à polêmica declaração de lei marcial feita por Yoon em dezembro de 2024, que envolveu o uso das Forças Armadas para intervir no Parlamento.
“Peço desculpas e estou de coração partido por não ter conseguido corresponder às expectativas de vocês”, escreveu Yoon, dirigindo-se aos seus apoiadores em uma breve mensagem divulgada após o veredito. “Sou grato a todos que me apoiaram, apesar das minhas falhas”, acrescentou.
A medida é histórica e marca um dos momentos mais tensos da política sul-coreana recente. Desde a suspensão de Yoon pelo Parlamento, em 14 de dezembro, o país tem testemunhado uma série de protestos e manifestações, tanto a favor quanto contra o ex-presidente.
O Tribunal declarou que Yoon violou a Constituição ao decretar a lei marcial, ordenar a mobilização de militares e forças policiais, e tentar impedir o funcionamento da Assembleia Nacional. “Ele atentou contra os princípios democráticos fundamentais da nação”, disse Moon Hyung-bae, presidente interino do Tribunal Constitucional. A decisão não pode ser revertida.
Em resposta, o Partido do Poder Popular, ao qual Yoon pertence, afirmou que respeita a decisão da Justiça. “É lamentável, mas aceitamos humildemente o veredito e pedimos desculpas sinceras à população sul-coreana”, declarou o parlamentar Kwon Young-se.
O afastamento definitivo obriga o país a convocar eleições presidenciais antecipadas dentro de 60 dias. O principal nome na corrida é Lee Jae-myung, líder da oposição, que recentemente foi absolvido em uma ação que ameaçava sua elegibilidade política. “Yoon, que traiu a Constituição e ameaçou a democracia, foi removido do poder”, afirmou Lee.
O clima no país é de grande tensão. A polícia sul-coreana colocou as forças de segurança em alerta máximo e mobilizou efetivos em todo o território, temendo uma nova onda de protestos violentos. O temor se intensificou após o episódio de 19 de janeiro, quando apoiadores do ex-presidente invadiram o Tribunal Distrital Ocidental de Seul.
Além do processo de impeachment, Yoon segue envolvido em outra investigação criminal sob acusação de insurreição — um dos poucos crimes pelos quais um presidente sul-coreano não tem imunidade. Ele está detido desde janeiro.
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