O que aconteceu em Minaçu em 2 de junho? E por que a cidade homenageia tanto essa data?

 

Hoje é 2 de junho, uma data que, embora pouco difundida na literatura, está profundamente povoada no imaginário dos minaçuenses. Muitos locais carregam esse nome: um rio que circunda uma vasta região rural, uma avenida, diversos comércios, escola e até um clube recreativo.

Mas o que aconteceu em 2 de junho para que a cidade tanto reverenciasse essa data? O Portal NG foi em busca dos pioneiros da região para contar essa história.

A explicação remonta aos anos 1940. Naquela época, a região do médio norte goiano era pouco produtiva, inóspita, sem corredores e distante mais de 250km de Uruaçu, cidade-sede a que pertencia. O que atraía os olhos dos exploradores era a riqueza natural intocada, com paisagens montanhosas e rios ainda inexplorados.

Antônio Aguiar, conhecido como Tonhão Aguiar, nos ajuda a contar essa história. Segundo ele, os registros mais antigos falam da chegada de dois desbravadores: Salviano e João Carneiro. “Eles estavam explorando a região quando, em 2 de junho, descobriram as margens do rio e o batizaram com a data”, relata.

Os expedicionários mais resistentes conseguiram se estabelecer no local. Famílias como a de Manuel Biboco, também conhecido como Manoel Portilho, foram fundamentais para a colonização da área. Manuel Biboco se destacou como uma figura central no desbravamento da região, que hoje também leva o nome de 2 de Junho. Naquela época, as terras não tinham um dono formal, como explica Aguiar. “A posse de terra era diferente; as pessoas simplesmente se assentavam onde encontravam espaço”, comenta.

A história do Rio Dois de Junho não está bem documentada na literatura, mas é transmitida de geração em geração e se perpetua através de histórias contadas pelos mais velhos. Nomes como João Carneiro, Salviano e Negrinho Araújo são mencionados entre os primeiros habitantes.

A história de “Dois de Junho” vai além de um simples batismo geográfico; é um contexto histórico fascinante de famílias que, corajosamente, construíram suas vidas ao redor de um rio extenso, de águas frias e rasas, deixando um legado de esforço e trabalho.

Genésio Aguiar, morador da região há mais de 40 anos, afirma: “O Rio Dois de Junho é o principal córrego de Minaçu. Foi ele quem acolheu os primeiros moradores, foi o esteio”, define. Ele cita nominalmente cada um dos primeiros moradores da região: “Nigrim Araújo ( Azarias) , Salomão Barbosa, Antônio Gomes, Zé 70, Tiago Siriano, Fulô barros (Frorencio), João Parrião, Manoel Maria Falcão e Assis Parrião. Esses foram os moradores após a família Biboco, até Junho de 1957”, elencou.

Hoje, a região do Dois de Junho é exemplo de superação, com uma agricultura forte que abastece as necessidades locais e gera excedentes para diversas partes do Brasil, cultivando desde soja a arroz. Os acessos foram revitalizados por meio de um projeto abrangente da Prefeitura de Minaçu.

O prefeito em exercício, Ian da Samina (PSD), também pioneiro, destacou uma das grandes conquistas da região: a reforma da principal ponte sobre o Rio Dois de Junho, que liga Minaçu a Palmeirópolis. A ponte, originalmente de madeira, caia repetidamente durante as cheias do rio. “Hoje, temos uma estrutura completamente diferente”, afirma.

Marcus Henrique Pires Dias

Marcus Dias, é CEO do Portal NG, e colaborador de edições. É especialista em Marketing e engajamento de mídias digitais.