ONG dá inicio a projeto de recuperação de áreas degradadas do Cerrado em Minaçu e região

A Rede de Sementes do Cerrado (RSC), em parceria com a Semeia Cerrado e Associação Cerrado de Pé (ACP), deu início às atividades do Projeto “Águas Cerratenses: Semear para Brotar”.

Financiado pelo Fundo Socioambiental CAIXA, o projeto visa restaurar, por meio do método de plantio denominado semeadura direta, cerca de 800 hectares de Cerrado até 2024. O investimento é de R$10 milhões. As ações de restauração de áreas degradadas serão feitas em Minaçu, Cavalcante, Teresina de Goiás, Alto Paraíso de Goiás, São João da Aliança e Niquelândia.

Financiado pela Caixa, serão 40 toneladas de sementes. Produtores rurais com passivos ambientais junto aos órgãos de defesa do Meio Ambiente ou que desejem receber o projeto de reflorestamento em sua propriedade gratuitamente basta entrar em contato com a Rede Semeia Cerrado:  62 9901-7268 ou contato@rsc.org.br.

Coordenadora do Projeto e CEO da Semeia Cerrado, Alba Cordeiro explica que atualmente a Chapada dos Veadeiros e seu entorno tem sido destaque quanto a aplicação dos modelos de restauração ecológica e, estudos mostram que a técnica da semeadura direta é uma das mais eficientes para a reintrodução dos componentes da vegetação do Cerrado.

Uma equipe será enviada à propriedade a fim de realizar o projeto de plantação de mudas e acompanhamento do processo de recuperação.

A iniciativa tem como foco o fortalecimento da cadeia de produção de sementes nativas de base comunitária para geração de renda familiar, bem como a sensibilização e envolvimento das propriedades rurais.

Além disso, toda a coleta é realizada por associados pertencentes as comunidades rurais, assentados e quilombolas. “Hoje a coleta de sementes tem sido para muitas mulheres a principal fonte de renda e este trabalho ele está além da restauração de áreas, mas engloba várias outras ações que resultam em melhores condições para as famílias de coletores e conservação de áreas, que hoje são vistas por eles como importantes e estratégicas”, acrescenta.

Presidente da RSC, Camila Motta, destaca que o projeto contribui para a expansão planejada da produção de sementes, o que beneficia os coletores. “Hoje trabalhamos com aproximadamente 100 famílias de coletores e ao longo destes anos foram inúmeros os ganhos socioeconômicos para estas pessoas e para o Cerrado, pois houve um trabalho que possibilitou a mudança de pensamento e comportamento em relação ao desmatamento das áreas”, afirma.

Ainda segundo a Presidente, por meio do projeto “Águas Cerratenses: semear para brotar” mais famílias serão inseridas na produção de sementes nativas do Cerrado, o que consequentemente ampliará a renda destas pessoas por meio da conservação do bioma. “A iniciativa visa também estudos para quantificação de carbono absorvido com a restauração e ações estratégicas de educação ambiental para crianças e jovens da região”, completa Camila Motta.

 

 

Foto: Ilustração/Secom/Anápolis