Sama faz pressão, não negocia com sindicato e dá exemplo com demissões

Dois colaboradores da Sama Mineração Associadas, empresa controlada pelo grupo Eternit, em Minaçu, foram demitidos de suas funções após liderarem a paralisação que ocorreu no último dia 12 de janeiro deste ano. Na oportunidade, funcionários da empresa exigiam melhorias salariais e o fim do chamado “desvio de função” – quando o empregado exerce uma determinada função, porém, é remunerado por outra, em menor vantagem. “Foram demitidos por justa causa, inclusive, para intimidar os demais trabalhadores”,  disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas e Beneficiamento de Minaçu, Adelman Araújo Filho, o Chirú.

De acordo com o presidente, em entrevista ao Portal NG, dentro da Sama, a pressão tem sido grande. “Fizemos a paralisação, porém, não houve acordo. A empresa sabe que não está correta. O que restou foi um acordo de ‘cavalheiros’ para que a Eternit se comprometa a encontrar uma saída”, disse Chirú, porém não foram estipuladas novas datas para as reuniões, tampouco foi sinalizada a construção do acordo. Para o Sindicato, o tema é complexo, pois a principal reivindicação da categoria se resume em adequação de salário. A Sama tem apresentado e discutido com gerentes responsáveis pelos recursos humanos pesquisas de consultoria, como a do método HAY, que permite formas de variação salarial no mesmo cargo. “Porém a questão não sai da pauta de discussão”, diz Chirú.

Embora não tenha selado um acordo com o Sindicato, tampouco instituído um cronograma de reuniões com a categoria, a Sama pretende a partir desta terça-feira, 01, adotar um novo regime de nomenclaturas e estrutura de cargos na área da Extração, a exemplo dos cargos: Operador de Equipamento de Mineração I e II; Operador de Sala de Controle, Líder e Encarregado. Na área de beneficiamento as novas nomenclaturas devem seguir como: Ajudante Industrial I, Operador Industrial I e II, Operador de Sala de Controle, Líder e Encarregado. Cada gestor ficará a cargo de conversar individualmente com seu colaborador que, na visão da empresa, tem direito a readequação.

Para Adelman, é apenas uma parte da pauta de reivindicações, que se estende há mais de um ano.  Os trabalhadores também pedem melhorias para o plano odontológico, Uniodonto, além de adequação de valores da cesta básica.

De acordo com Sindicato, em nota distribuída à categoria, o falta de diálogo é causado pela diretoria do Grupo Eternit em São Paulo e exime os gerentes e líderes locais da SAMA em Minaçu. “A direção Eternit SP quer o couro e as tripas dos trabalhadores Sama”, diz.