Prefeito de Minaçu fala em queda de arrecadação e jogo de cintura da gestão para manter contas em dia e garantir avanços em infraestrutura e saúde

Minaçu (GO) — O prefeito de Minaçu Carlos Alberto Leréia (PSDB) concedeu entrevista ao professor e jornalista, José Maria, na Rádio Serra da Mesa, espaço em que durante uma hora fez um amplo balanço da administração municipal, destacando obras, desafios na área da saúde e foi enfático ao afirmar que mudanças foram, estão sendo feitas, para equilibrar as contas públicas.

Infraestrutura: obras, pontes, asfaltos e estradas

O prefeito anunciou a conclusão de obras em diversas regiões do município, com destaque para a ponte sobre o Rio Cana Brava, prevista para ser inaugurada ainda em julho. “Vamos concluir a estrada e trazer as vigas para colocar. A ponte do  Cana Brava será inaugurada agora”, afirmou. Segundo ele, a gestão também já entregou outras 30 pontes neste mandato, entre as mais estruturadas, a  Rio 2 de Junho e da Rua 20.

Construção da Ponte sobre o Rio Bonito (Rua 20)

Quanto ao asfalto, Leréia destacou que diversas obras foram possíveis graças a emendas parlamentares, com contrapartidas da Prefeitura. “Estou fazendo asfalto porque foi [recurso oriundo de emenda]. A emenda tem um valor fixo, e ainda acrescentei os 25% permitidos de aditivo”, explicou. Algumas ruas, no entanto, ainda aguardam a finalização, a exemplo, disse, das proximidades da Escola Santiago Dantas.

Ele também mencionou dificuldades para recuperar estradas vicinais e destacou a complexidade de manter a malha viária em bom estado: “Estamos na fase de recuperar estradas, mas é um desafio diário”.

Obras em bairros e manutenção da infraestrutura

Ao falar sobre os investimentos em infraestrutura, o prefeito foi taxativo ao destacar que muitos avanços só foram possíveis com articulação política junto a parlamentares aliados. Ele citou, por exemplo, o recapeamento da Avenida Goiás, a reestruturação do Aeroporto, e o asfaltamento de bairros obtidos graças a emendas do deputado federal José Nelto (PP).  “Fizemos mais de 50 mil metros quadrados de recapeamento. Tudo isso com recurso que veio porque a gente corre atrás. Se for depender só de orçamento da prefeitura, não sai.”

Serviço de recapeamento asfáltico/Ano 2024

No entanto, o prefeito também destacou que manter essas obras funcionando é um desafio maior que inaugurá-las. Um exemplo é a iluminação do campo de futebol, conquista ainda da época em que Lereia foi deputado federal e articulou a instalação do sistema de refletores.“Você acha que é só acender e pronto? Mais de 90% das lâmpadas estão queimadas. E sabe quanto fica pra trocar? Quase duzentos mil reais! Mais de cem mil só de material. Aí vem alguém e fala que é só apertar um botão.”

“Zelar o que tá pronto pra funcionar pro povo já é um grande passo. É zelar da vida, da segurança, da qualidade de vida das pessoas. Ninguém joga bola no escuro.”

Educação: Instituto Federal é sonho impossível

Conforme destacou em uma matéria do Portal NG, a possibilidade de receber uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Leréia falou do assunto e disse que momento é oportuno para a cidade.

A cidade integra uma lista de municípios que apresentaram propostas qualificadas dentro ao Governo Federal, e, ao mesmo tempo, possuem demanda reprimida por qualificação técnica profissional e de nível superior.

Saúde: um desafio permanente

Na saúde, Leréia revelou que o tomógrafo do município permanece quebrado, mas a equipe está concentrada em analisar propostas. O orçamento de R$ 585 mil para o conserto e R$ 1,2 milhão para a substituição. Além disso, a prefeitura adquiriu duas ambulâncias via licitação que chegaram com defeito de fábrica. “É uma dificuldade. Uma ambulância da assistência social deu problema, e o conserto custa R$ 40 mil”, afirmou.

Lereia elogia Câmara e devolução de recurso

O prefeito também enfatizou a colaboração com a Câmara de Vereadores, especialmente, a presidente Gilvânia Márcia, que suspendeu licitações e devolveu recursos ao município. “Se não fosse essa devolução, não daríamos conta de cumprir compromissos”, destacou.

Contudo, ele também relatou dificuldades financeiras herdadas por outros prefeitos. “Tivemos um bloqueio de quase R$ 1 milhão por conta de precatórios de gestões anteriores. Quem paga é o povo da cidade”, criticou.

Rodovia Minaçu a Palmeirópolis: “Não é por falta de cobrar”

TO-141 que liga Palmeirópolis à difisa do Estado/GO-132 

 Carlos Alberto Lereia  também não poupou críticas ao governador Ronaldo Caiado pela falta de empenho do Governo em relação a construção da rodovia que liga o município goiano à cidade de Palmeirópolis (TO). Segundo o prefeito, a obra, há muito aguardada pela população, já foi concluída no lado tocantinense há mais de dois anos, enquanto do lado de cá segue completamente parada.

“O projeto dessa estrada já existia. Não surgiu nenhuma nova cidade no traçado, não houve mudanças técnicas que justificassem esse abandono. O atual governo simplesmente ignorou o que já estava pronto e engavetou a proposta. O dinheiro existe, o que falta é vontade política”, afirmou Lereia durante entrevista.

Leréia: Governo ignorou o que já estava pronto

O prefeito ainda reforçou a necessidade de mobilização popular e política: “Precisamos cobrar. Do governo estadual, dos deputados, principalmente agora que arrecadaram mais de R$ 3 bilhões com a Taxa do Agro. Essa rodovia deveria ser tratada como prioridade.”

Apesar das críticas, Carlos Alberto disse manter a esperança de que Minaçu volte a ser priorizada pelo Governo de Goiás. “Estamos em ano eleitoral. Eles prometeram que, com os recursos do agro, a estrada entraria no planejamento. Agora é hora de cobrar.”

Saneamento: bairros ainda sem cobertura de esgoto

Res. Cava Brava – Tratamento de esgoto é primário

Segundo o prefeito, áreas como o Residencial Cana Brava e Vila de Malta ainda não têm cobertura total de esgoto. “Algumas áreas, inclusive onde eu moro, ainda vão ficar faltando. Mas temos procurado fazer”, disse.

Precatórios e bloqueios judiciais: “É dívida de outros que o povo de hoje está pagando”

Dívidas judiciais que se arrastam há décadas engessam investimentos

Lereia também abordou os bloqueios de recursos nas contas da prefeitura por conta de precatórios judiciais deixados por administrações anteriores. Segundo ele, mais de R$ 1 milhão já foi bloqueado somente em 2025, prejudicando pagamentos e investimentos.

“Teve bloqueio esse mês de R$ 240 mil. Dinheiro que ia pra folha de pagamento, pra merenda escolar. Isso é dívida que ficou e ninguém quer assumir. Mas quem paga é o povo.”

Ele citou como exemplo uma condenação trabalhista envolvendo ex-funcionários da Secretaria de Obras da gestão anterior, que resultou em bloqueio judicial.

“A gestão passada demitiu 23 servidores da noite pro dia sem pagar nada. Agora a Justiça mandou pagar. A conta chegou.”

Mensagem final: “Zelar o que tem já é governar”, disse

Em sua fala final, o prefeito reforçou que administrar uma cidade não é apenas cortar fitas de inauguração, mas garantir que o que já foi feito continue beneficiando a população.

“Prefeitura tem que comprar, tem que construir, mas também tem custo. Se der conta de fazer algo novo, que bom. Mas se não der conta, zelando o que tá pronto, já tá dando um grande passo. E é isso que a gente tá fazendo: mantendo o povo com dignidade.”

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Em 2026, estratégia é união

Durante entrevista, Lereia também falou sobre o cenário político em Minaçu com foco nas eleições de 2026. Ele destacou o desejo de ver a cidade novamente representada na Assembleia Legislativa de Goiás por um nome ligado à cidade, mas alertou para a necessidade de articulação e real viabilidade eleitoral.

“Meu sonho é ver um filho da cidade se eleger deputado, mas pra isso é preciso união e um projeto que vá além dos votos de Minaçu”, afirmou. Lereia ressaltou que uma candidatura não pode ser baseada apenas no apoio municipal, lembrando que, apesar de ter tido 24 mil votos em 2014, não foi eleito. E afirmou que, o apoio dele, deve estar vinculado a candidaturas alinhadas com seus nomes para governador, senador e deputado federal.

Lereia também adiantou que não será candidato a nenhum cargo em 2026, mas garantiu que estará envolvido no processo político, apoiando nomes com chances reais de vitória. “Eu não misturo apoio com aventura. Apoiar alguém que já entra derrotado é ruim para a cidade. A candidatura tem que ser viável”, declarou, ao citar nomes que se desenham na disputa: Ian da Samina, Márcio Gordo, Gillvânia e Ana Lúcia.

A voz da Cidade volta já!

Ao final do programa, o apresentador José Maria comunicou oficialmente o recesso do programa, que se estendera durante o mês de julho, com retorno marcado para agosto.

“Agora às treze horas em ponto e a gente fica por aqui. Quero avisar ao nosso ouvinte que a gente vai pegar férias agora em julho, e só volta no mês de agosto com o programa”, informou

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