Lereia afasta intromissão política no caso Serra Verde e critica oportunismo em torno do tema

Leréia sobe o tom contra “paraquedistas” que tentam usar o tema para benefício político, e até eleitoral, e critica disputa por protagonismo em torno das relações internas da Serra Verde: “prejudica”.

O prefeito de Minaçu, Carlos Leréia, subiu o tom nesta segunda-feira, 04, ao comentar a movimentação de diferentes atores políticos em torno das tratativas envolvendo a Serra Verde, empresa responsável pela exploração de terras raras no município, e a norte-americana USA Rare Earth . Segundo o chefe do executivo, há tentativa de setores políticos de “surfar” em torno do protagonismo do projeto e no interesse internacional pela mina, especialmente após o avanço das negociações ligadas a investimentos dos Estados Unidos.

De acordo com Leréia, a tentativa de transformar o tema em vitrine política pode atrapalhar o desenvolvimento da empresa, que colocou Minaçu no radar nacional e internacional de terras raras. O prefeito defendeu que a Serra Verde é fruto de anos de investimento privado, coragem empresarial, licenciamento e trabalho técnico, e não de intervenções políticas políticas, que dirá partidárias É, conforme ele, o resultado de um trabalho iniciado há muitos anos, com estudos, investimentos privados e várias etapas de licenciamento ambiental. Ele destacou que o projeto começou a ganhar forma ainda entre 2008 e 2009, durante o governo de Alcides Rodrigues em Goiás, e atravessou diferentes gestões estaduais e federais sem que, na avaliação dele, houvesse interferência política direta para favorecer ou prejudicar a mina.

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“Isso aqui não tem esquerda nem direita. Nenhum governador e nenhum presidente trabalhou para atrapalhar. O que houve foi um processo longo, com licenciamento, investimento e coragem de empresários que apostaram em um mineral ainda pouco conhecido no Brasil”, afirmou.

Leréia lembrou que a Serra Verde precisou cumprir diversas etapas de licenciamento, envolvendo órgãos estaduais e federais. De acordo com ele, o Ibama, órgão do governo federal, autorizou ao longo dos anos que o Estado de Goiás conduzisse parte do processo de licenciamento ambiental.

O prefeito também citou que, nesse período, o Brasil passou por diferentes presidentes, como Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, enquanto Goiás teve governadores como Alcides Rodrigues, Marconi Perillo e Ronaldo Caiado. Para Leréia, esse histórico mostra que o projeto não pode ser atribuído a um único grupo político.

“Agora estou vendo gente querendo se apropriar, como se uma pessoa tivesse sido responsável pela mina. Sabe quem é o responsável? Os investidores que tiveram coragem de colocar dinheiro em um mineral que ainda não era conhecido no Brasil”, declarou.

Investimento bilionário

Leréia afirmou que os investidores aplicaram quase US$ 1 bilhão no projeto, incluindo estrutura, estrada de acesso, rede de alta tensão e outras obras necessárias para viabilizar a operação. Segundo ele, mesmo sem incentivos diretos para infraestrutura, a empresa avançou com recursos próprios e ajudou a gerar empregos no município.

O prefeito também comentou as discussões sobre a venda e os contratos internacionais relacionados à produção mineral. Segundo Leréia, o Brasil ainda não possui tecnologia suficiente para industrializar em larga escala esse tipo de mineral, o que torna necessária a comercialização com empresas de outros países.

“É claro que o Brasil precisa evoluir e dominar essa tecnologia. Mas hoje não adianta produzir milhões de toneladas e armazenar. O caminho é vender para quem paga melhor, enquanto o país se prepara para industrializar no futuro”, disse.

Ele ainda afirmou que o negócio envolvendo a Serra Verde valorizou o projeto e pode incentivar novas pesquisas e investimentos em terras raras em outras regiões do Brasil, como Minas Gerais, Goiás e o Sul do país.

Crítica à politização

Ao tratar do debate público em torno do tema, Leréia criticou o que chamou de oportunismo político e disse que a discussão deve ser feita com responsabilidade. Para ele, transformar a Serra Verde em pauta ideológica pode prejudicar um empreendimento importante para Minaçu, para Goiás e para o Brasil.

“Eu quero tranquilizar o povo. Minha preocupação é que essa discussão política acabe atrapalhando um trabalho que vem sendo desenvolvido há muitos anos. Não podemos permitir que a politização prejudique um projeto que gera emprego, renda e coloca Minaçu em destaque nacional e internacional”, afirmou.

O prefeito destacou ainda que a mineração de terras raras é estratégica para a transição energética e para novas tecnologias no mundo. Por isso, segundo ele, o debate deve priorizar desenvolvimento, segurança jurídica, geração de empregos e avanço tecnológico.

“Minaçu nasceu da mineração e continua tendo papel importante nesse setor. O Brasil tem esse mineral em abundância e precisa produzir, pesquisar e avançar. Mas isso deve ser feito com seriedade, sem oportunismo e sem disputa ideológica”, concluiu.

NACIONAL

Veredito sobre negociação da Serra Verde cai nas mãos de Nunes Marques

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, foi escolhido, por sorteio, e é o responsável por relatar a ação que questiona a legalidade do processo de venda da mineradora Serra Verde a americana USA Rare Earth.

A ação foi apresentada pela Rede Sustentabilidade e pede a suspensão da negociação, sob o argumento de que a operação envolve um ativo estratégico para o Brasil no setor de minerais críticos e terras raras.

Enquanto o caso avança no STF, o governo federal recua, e sinaliza que não pretende criar uma estatal específica para o setor, como chegou a ser discutido com a proposta da chamada “TerraBrás”. Por outro lado, a tendência é de adoção de medidas mais rigorosas para garantir que parte do processamento, da agregação de valor e da industrialização desses recursos estratégicos ocorra dentro do Brasil.

A discussão ganhou força após o anúncio das tratativas envolvendo a Serra Verde, considerada uma das principais apostas do país no mercado global de terras raras. O tema passou a mobilizar governo, Congresso, partidos políticos e investidores estrangeiros, diante da importância desses minerais para setores como tecnologia, defesa, energia limpa e transição energética.

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